Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

O futebol é dos pequenos

Já abordado aqui. É, actualmente, e de forma distanciada, o melhor jogador na formação a actuar em Portugal. Tudo o que faz reúne classe, elegância, técnica, inteligência e criatividade. Joga, faz jogar, desequilibra, constrói, cria e defende.



Enorme a capacidade para executar em espaços reduzidos. Excelente a atacar o adversário que lhe sai à contenção, a criar o espaço para o colega entrar, com o último toque que dá com o pé esquerdo para dentro antes de passar a bola, e a soltar no momento certo. E, por fim, o souplesse. A magia.

Não encontre nenhum treinador preconceituoso, devido ao seu 1,70m, e terá Portugal a seus pés.

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Competência dentro da incompetência

Jesus, ontem, foi competente. Competente dentro da incompetência. Porquê? Porque nunca na vida pode oferecer, daquela maneira, o controlo do jogo ao Porto. Jesus abdicou de jogar. Abdicou do ataque. Abdicou daquilo que é o mais importante no futebol. Da bola. Seja o contexto qual for, é a estratégia errada. Todavia, foi competente dentro dessa mesma estratégia. Conseguiu manter o Porto relativamente inofensivo, criando poucas oportunidades de golo e só não saiu do Dragão com um resultado positivo por mero azar. Bastaria um remate ao lado, bastaria um desfecho diferente para apenas uma jogada, para alterar, e de que maneira, o rumo das coisas. Um pormenor.

Agora, o porquê desta estratégia? Que a manutenção da bola não faça parte do ADN do Benfica e daquilo que Jesus pede aos seus jogadores, é tolerável. Contudo, não cabeça na cabeça de ninguém todo aquele festival de pontapé para a frente e desprezo pela bola num clube como o Benfica. Independentemente do Porto de Vítor Pereira, sem bola, ser assombroso, que o é, o Benfica tem jogadores e condições para fazer mais, bem mais.

Sobre a continuidade de Jesus: Sim. Muito se tem falado sobre um (hipotético) duelo onde o Benfica é, claramente, superior ao Porto de Vítor Pereira. Não querendo falar sobre a qualidade geral deste Porto, que é bem superior ao que tem lhe é reconhecido por essa internet fora, o Benfica luta contra um Porto que faz, em 29 jogos, 23 vitórias e 5 empates. É contra isso que o Benfica luta. Contra um Porto que está a ser, a nível classificativo, o segundo melhor desta década. É preciso roçar a perfeição.

Jesus já conseguiu o mais importante. Mostrar, no score final, a superioridade face a 14 dos 15 adversários do Benfica. Falta um. E com a cada vez mais importante influência do confronto directo no título de campeão nacional, talvez fosse tempo de começar a mudar algumas das suas ideias de jogo, mantendo o que de bom já existe. Qualidade para o fazer existe.

Domingo, 12 de Maio de 2013

Ideias de ressaca

Ainda não digeri. O nosso futebol é mais evoluído e a nossa capacidade ofensiva é bastante superior, as ideias de jogo são mais elaboradas e mais trabalhadas assim como o aspecto irracional no rendimento da equipa. É mais futebol. Simplesmente, no nosso campeonato, para vencer não basta isso acontecer. A componente externa como a forma de lidar com a imprensa e fazer pressão em orgãos da Liga e da Federação têm um peso superior àquele que deviam e aí, continuamos a ser batidos aos pontos.

Até que ponto é que devemos continuar a ignorar a importância desse mesmo aspecto na conquista de campeonatos e no domínio da Liga? Toda essa nossa falta de capacidade faz-me pensar até que ponto é que esta Direção tem capacidade para implementar um espírito vencedor no nosso clube. Porque, hoje por exemplo, para além de sorte o Benfica não teve estofo e perdeu nos detalhes. E isso acabou por fazer a diferença, porque repito, em termos de futebol jogado creio que estamos num patamar acima. Penso que o aspecto que referi em cima terá de ser extremamente repensado e terá de lhe ser dada a devida importância, de uma vez por todas!



A culpa é de todos. 

No início da época, face às dificuldades financeiras que atravessamos, o Benfica viu-se obrigado a vender activos, com a contrapartida de perder o meio-campo. E sob essa perspectiva, o trabalho de Jesus na adaptação de Matic e Enzo no meio-campo para o estilo de jogo mais vertícal e pragmático que pretendia, foi fabulosa, e terá de lhe ser dado o mérito por isso. O trade-off entre a vertente desportiva e financeira foi claro pela direção, em prejuízo do treinador e da componente desportiva. Daí o mérito de Jesus. Mas também, não nos podemos esquecer de algumas opções deste mesmo técnico, por exemplo, neste jogo. Entrada de Roderick a faltarem cerca de 25 minutos para o final da partida? Entrada de Cardozo? Entrada de Aimar?

Já nem vou pela rodagem e qualidade do rapaz... Mas é verdinho que doí, quer o seu jogo quer a sua atitude, e num jogo desta dimensão, pedia-se um perfil totalmente diferente. Com isto Jesus diz à equipa que quer defender. Se já discutível a tanto tempo do final do jogo, ainda mais discutível fica com a entrada de Aimar em campo com os minutos que leva nas pernas e com a (pouca) capacidade defensiva que sempre teve. Finalmente, Cardozo são golos, mas a equipa não queria atacar, queria defender, os extremos não subiam e o médio mais ofensivo estava muito longe, por isso o 7 nunca iria ter o jogo que precisa para expor todas as suas qualidades... Porquê então a sua entrada em campo? Todas estas incoerências tácticas são incompreensíveis num treinador que se diz de topo. São estas perguntas que ficam no ar e doem, porque por mais que se pense nelas, não se consegue obter respostas. Que resultou em mais um capitulo negro no reinado de Jesus e mais uma facada na época para todos nós. 

Todo este periodo até ao final da época terá de ser de extrema reflexão sob o futuro que queremos no nosso clube e nas ideias desta direção e deste treinador para o mesmo, e se essas ideias podem fazer o Benfica rumar à tão desejada glória do passado, que foge à tantos anos.


Sem mais que consiga dizer de uma forma minimamente racional, que os jogadores e a equipa técnica sejam homens sérios e que vençam o que ainda há para vencer. Sem desculpas de merda ou hesitações, não há outra hipotese. Caso contrário, em vez de mais uma época manchada por um campeonato estupidamente perdido fica o sabor a mais uma época horrorosa sob o comando de Vieira e Jesus. Farto disto.

Sábado, 4 de Maio de 2013

Um Benfica à Benfica!


Já escrevi, apaguei e reescrevi este princípio de texto umas 100 vezes e continuo sem saber por onde começar. Nasci pouco tempo antes da última final europeia do nosso clube. Em Maio de 1990, nem as rezas de Eusébio sob o jazigo de Béla Guttmann surtiram efeito, e o Milan derrotou o Benfica por 1-0 em Viena. De lá para cá, as prestações europeias do Benfica em nada se ajustaram à categoria e à História do clube. Eliminados pelo Bastia. Os famosos 7 de Vigo. Levar 3 do Anderlecht. Perder na Luz com o Metalist. E até mesmo dois anos consecutivos sem conseguir o apuramento para as provas europeias. Desde que me lembro, vi o Porto, por mais de uma vez, o Sporting e até o Braga (às nossas custas) chegarem a uma final europeia. Até o Boavista esteve a dez míseros minutos de conseguir uma final europeia.

Mas ontem, na Luz, vi mais Benfica naqueles jogadores e naqueles adeptos que nos últimos 5, 10, 15 anos. Ontem, na Luz, houve Benfica, fez-se Benfica e o Benfica realizou-se. Os jogadores foram Benfica, os adeptos também. Em muitos anos da "nova" Luz, nunca tinha visto e vivido um ambiente como o desta 5ª feira. O Benfica x Manchester United de 2005/2006 era, para mim, o auge em termos de apoio fervoroso que já tinha presenciado. Caro leitor, se ontem não foi ao Estádio da Luz, não sabe o que perdeu. Perdeu a aparição daquele Benfica, em jogadores e adeptos, que os mais novos só vêem através das gravações em VHS ou que só ouvem pelos relatos dos mais velhos.

A apenas três semanas do fim da temporada, estamos paradoxalmente tão perto e tão longe de conseguir aquilo que queremos, que parece ainda irreal o que o Benfica já alcançou, sem ganhar nada, esta época. Estar com uma boa vantagem no campeonato, ter um adversário acessível na final da Taça e regressar a uma final europeia 23 anos depois é todo um corolário de condições que julgava serem absolutamente inatingíveis em Setembro último. Mais que ganhar um campeonato pela primeira vez em três anos, mais que arrecadar uma dobradinha pela primeira vez desde 1986, o Benfica pode fazer o que jamais foi feito no nosso clube: Campeonato + Taça + Prova Europeia. Mérito de quem? Deixo isso para outro post, onde Jesus, obviamente, mais até do que em 2010, tem o papel principal.

Mas ainda não ganhámos nada. E é isso que importa recordar no meio de toda esta euforia que leva gente ao Marquês de Pombal para festejar título nenhum. Em primeiro lugar, é preciso ganhar. O Benfica não pode dar abébias no campeonato e na Taça, e tem de fazer o melhor que sabe numa final europeia mesmo partindo na condição de não-favorito. É preciso ganhar. O "quase" não basta. O "quase" não serve. O "quase" não é um título. E não basta ganhar uma vez para se iniciar um novo ciclo. É preciso ganhar muitas vezes. É preciso iniciar o hábito de ganhar consecutivamente. E é isso que acho que esta temporada, em especial com a presença na final europeia, nos pode dar: uma viragem completa na mentalidade de jogadores, equipa técnica, corpo directivo e, também, pasmem-se, adeptos. Uma final europeia é especial para todos. Engrandece o clube aos olhos da Europa mas também o torna maior aos olhos de todos aqueles que o amam... e que o odeiam. Cabe agora a quem de direito saber capitalizar essa grandeza e esse crescimento que uma época repleta de títulos pode e deve dar. É aqui que entra Vieira. Cumprir o "1" do seu "3-1-50" prometido aquando das eleições (três campeonatos nacionais, uma final europeia e cinquenta títulos nas modalidades) à primeira tentativa é obra. O "3" vai igualmente bem encaminhado. E cumprindo aquilo que prometeu, Vieira terá, finalmente, um mandato à Benfica, continuando a ser, ou deixando de ser, o presidente que devolveu ao Benfica o hábito de ganhar muito e consecutivamente. E esse seria um feito digno de o colocar numa galeria onde figuram apenas os mais importantes presidentes da História do nosso Benfica.

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Sport Lisboa e Benfica!

Estou a jorrar benfiquismo por todos os poros. Não caibo em mim de felicidade. Estou nas nuvens. Estou extasiado. Estou bêbedo  É uma sensação única que nunca tive oportunidade de presenciar. Agora já sei o que é estar numa final europeia.

Quanto ao jogo, fomos arrebatadores. Desde o terceiro anel até ao relvado. Foi um Benfica à Benfica. Um Benfica dono do seu inferno. Um Benfica a diabolizar e a vergar um adversário de forma tão esclarecedora que só mesmo uma arbitragem nojenta impediu um resultado ainda mais claro.

Vamos a Amesterdão e vamos ganhar. Vamos voltar a vencer na Europa. E seremos os únicos vencedores justos.

Não há palavras para tamanha euforia. Ser campeão faz-me sentir em overdose de benfiquismo. Mas esta sensação também é indescritível.

Agradeço do fundo do coração a todos os que tornaram isto possível, desde o presidente, passando pelo Jorge e restante equipa técnica, até aos jogadores, em particular àqueles que, sendo segundas e terceiras escolhas, sempre foram pedras basilares no fantástico ambiente de equipa e família que se vive no nosso clube. Sou tão crítico do JJ, mas tão crítico, que não consigo deixar de o venerar. Obrigado por uma época que tem tudo para ser ainda mais fabulosa, mister.

No fim do jogo, no café já mandaram a boca: “Parabéns ao Benfica pela primeira final europeia a cores”. Não me fiquei e respondi: ”Olha oh palhaço, queres um facto? Desde que a TV é a cores, o Benfica tem tantas finais europeias como a tua agremiação. Facto. E é um facto sem fruta e sem o caralho que a foda!”

Não me vou alongar mais. Isto é fantástico. A época está a ser fantástica e este grupo merece ganhar tudo o que está em jogo neste mês de Maio. E se a justiça divina não dormir, então estaremos perante a terceira melhor época da centenária história do Benfica.

Amo este clube acima de qualquer outra coisa e em meu nome pessoal, só tenho a estar eternamente grato por esta alegria, sabendo que noites tão ou mais gloriosas estarão por vir.

A todos vós, companheiros, brindo esta tacinha.

VIVA O BENFICA!

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Motivação

Primeiro é Raul Meireles, sedento por mais um jogo contra o clube que odeia, mandar larachas para a imprensa.

Depois é o treinador dos turcos dizer que o ponto fraco do Benfica são os centrais (sim, esses mesmos, Luisão e Garay).

Por fim é esta capa de um jornal turco, hoje, dia 25 de Abril.

Alguém está a pedir para levar umas quantas, não está?

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

A Lei do Mais Forte


Nem sempre brilhante, nem sempre com nota artística, a verdade é que derby é derby e tudo podia acontecer. É chavão mas é verdade. E o Benfica, consciente disso, soube fazer uma exibição realista e adulta, que lhe permitiu uma vitória com relativa facilidade.

Esta equipa, estes jogadores, este grupo transformou-se. O que eram e no que se tornaram... é de facto assombroso. Com todas as dificuldades e vicissitudes desta temporada, o percurso do Benfica é simplesmente brilhante. Não estou entusiasmado pelo facto de podermos ter uma época de sonho. Ou melhor, até estou, mas estou particularmente surpreendido por estarmos onde estamos e podermos ir para onde vamos com todos os obstáculos que esta época teve. É assombroso.

Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Os ingleses, os ingleses...

Chegaram triunfantes, de cabeça erguida, confiantes de que a vitória não lhes escaparia. De Portugal, dos portugueses e do campeonato nacional, pouco ou nada sabem. Aliás, nem precisam. As suas equipas são incomensuravelmente superiores a qualquer equipa deste cantinho à beira-mar plantado. Importante é que há cerveja, muita e bem fresquinha, a 1 euro. Porque, feitas as coisas, os ingleses ganham sempre. Excepto daquela vez em que o Braga eliminou o Liverpool. E da outra em que o Sporting arrumou com o City. E quando o Benfica despachou o United também. E quando a selecção portuguesa se diverte às custas da inglesa. Mas tirando todos esses episódios, os portugueses são uns coitadinhos nas mãos dos poderosos bretões.

Jesus reagiu muito bem à ignorância de Alan Pardew. Aquilo não se tratava de jogo psicológico, de provocação ao adversário. É apenas e só ignorância. E o tratamento a dar a ignorantes petulantes é precisamente este. Na Luz, tive pena que o Benfica tivesse entrado com alguns jogadores da chamada "segunda linha", até porque o que o Newcastle merecia levar com a cavalaria pesada desde início. Merecia o tratamento que o Everton teve aqui há 3 ou 4 anos. Ainda assim, com rapazitos que ainda no ano passado estavam nos juniores ou na segunda divisão, o Benfica chegou para os valentões. Com a entrada dos craques Enzo e Lima, foi a tareia que já se esperava.

Esta 5ª feira, em condições normais, o Benfica ganha com facilidade no norte de Inglaterra. Deixemo-nos de tretas: somos melhores, perdão, muito melhores que estes gajos. E havendo profissionalismo, esta eliminatória ficará encerrada em três tempos. As meias-finais da Liga Europa estão aí ao virar da esquina. E tendo em conta que é bastante provável que a competição se resuma a Chelsea, Basel e Fenerbahçe, seria uma estupidez colossal deixar escapar a oportunidade claríssima de ganhar uma prova europeia.

Domingo, 7 de Abril de 2013

"Isso não!"

Gritou o meu pai quando se apercebeu que Salvio ia rematar a mais de 25 metros da baliza de Bracalli. Eu já estava por tudo. Dali, da pequena área, do meio-campo, queria que o Benfica rematasse. O jogo estava a correr bem, o Benfica estava a fazer um jogo muito consistente e muito tranquilo face à inoperância do Olhanense, mas faltava o golo. Por azar, por falta de jeito, tudo se juntava para não deixar o Benfica tomar vantagem no marcador. A verdade é que Salvio, pela enésima vez esta temporada, desbloqueou o jogo. Isso... sim.

Num campo de futebol ou num batatal, contra um taxi ou defrontando um autocarro de dois andares, o Benfica é, neste momento, a equipa mais forte e mais consistente deste campeonato. E hoje foi também, para surpresa minha, a mais tranquila. Mesmo tendo a gigantesca pressão de ter de ganhar para não deixar escapar os 4 pontos de vantagem para o Porto, o Benfica soube reagir face ao avançar do tempo com a persistência do 0-0 no marcador. O Benfica foi uma equipa tranquila, serena, organizada e que soube manter a cabeça durante aquela hora em que esteve empatado.

Jesus montou a equipa que, a meu ver, mais garantias dava (Maxi na sua posição de origem e, face à ausência de alternativas, Almeida no lugar que seria teoricamente de Luisinho), colocou o melhor quarteto de meio-campo disponível e apostou numa frente de ataque móvel que prometia dar dores de cabeça aos algarvios. Assim foi. Nem sempre com classe, nem sempre num futebol bem jogado (até porque o campo não permitia), mas com muita atitude e tranquilidade, bem diferente do "deixa andar" a que já assistimos em alguns jogos. Hoje sim, foi [mais] uma verdadeira exibição de um candidato ao título.

Restam cinco jogos dos quais apenas precisamos de ganhar quatro. O próximo para o campeonato é precisamente na Luz frente ao eterno rival, agora moralizado com os bons resultados e com um presidente que está a injectar moral e confiança nos adeptos e nos jogadores. Para nós faltam cinco jogos. Para eles só falta um, este mesmo. Muito cuidado com eles.

Sábado, 6 de Abril de 2013

Estamos atentos...

Achei engraçada esta sequência de factos:

Um empresário amigo (que ninguém sabe quem é...) do presidente do Olhanense disponibiliza dinheiro para pagamento de alguns ordenados em atraso do plantel do Olhanense a 4 dias do jogo contra o Benfica.

Dias depois, um Presidente de um clube algarvio da primeira liga estava no Hotel Bessa no Porto.

Para o porto vs braga é nomeado o Proença.

Para o Olhanense vs Benfica é nomeado o Hugo Miguel.

Adenda ás 14.30:

Domingo, 31 de Março de 2013

Meio basta, mas meia é bem melhor

Jesus advertiu, com muita razão, que meio a zero bastava para levar de vencida o Rio Ave. Pedia-se pragmatismo, muito concentração e zero facilitismos. Assim foi. O Rio Ave entrou muito bem na partida, com a lição bem estudada, tentando aproveitar o contra-ataque através das investidas de Bebé e Ukra e poderia mesmo ter chegado ao golo não se fosse a concentração dos atletas do Benfica e a sua vontade em resolver o jogo cedo.

Melgarejo, muito bem a atacar mas um autêntico buraco a defender, abriu o marcador por volta dos 10 minutos ao fuzilar autenticamente Oblak. De seguida, Matic aproveita uma falha de marcação num pontapé-de-canto e faz golo num tipo de lance que raramente tem tido sucesso nesta temporada. O Rio Ave mostrou porque se encontra tão bem posicionado na tabela ao criar vários lances de perigo, fossem eles contra-ataques velocíssimos, vários cantos com cabeceamentos que, felizmente, se revelaram infrutíferos, e ao enviar uma bola à barra da baliza de Artur. No entanto, se dúvidas ainda houvesse, Lima tratou de sentenciar a partida minutos antes do intervalo, ao fazer o 3-0 num belo lance de ataque rápido.

A segunda parte iniciou-se como terminou a primeira, com golo (golaço!) de Lima, seguida de um lance de sorte dos vila-condenses, com Hassan a colocar, inadvertidamente, a bola na baliza de Artur. Mesmo não sendo um jogo violento, Rui Costa conseguiu arranjar tempo para expulsar três jogadores e amarelar mais de meia dúzia. Foi apitando faltinhas aqui e ali, deixou outras por marcar, foi esticando a paciência dos adeptos encarnados e conseguiu que os jogadores caíssem na armadilha. Estragou o jogo, é verdade, mas tal não demoveu o Benfica de golear o Rio Ave. Lima, uma vez mais, a completar o hat-trick e Enzo Pérez, que uma vez mais encheu o campo, fizeram o resultado final.

É assim que se resolvem os jogos. Entrar com muita garra e atitude, marcar cedo e depois saber gerir a seu bel-prazer. Pragmatismo também é isto. Com 6 jogos para o fim do campeonato, e com a possibilidade de fazer mais 7 pelas outras provas em que estamos inseridos, é preciso saber descansar em campo com o resultado já feito. Foi o que o Benfica fez hoje. É também assim que se gere um grupo.

Sexta-feira, 29 de Março de 2013

Pergunto-vos eu, que sou um gajo ingénuo

Por que motivo é que o presidente do Olhanense, devendo vários meses de salários aos seus jogadores, não quis disputar o encontro com o Benfica no Estádio do Algarve, que tem uma capacidade quatro vezes superior ao José Arcanjo, e que portanto permitiria fazer uma receita quatro vezes maior? Haverá alguma promessa de pagamento aos jogadores, sabendo-se lá de onde vem o dinheiro? Será isto tudo uma enorme coincidência, tal como a nomeação de um portista doente para arbitrar o Benfica x Rio Ave?

Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Calendários

É inevitável olhar para o calendário. Por muito que os adeptos não gostem de assumir, por mais que os treinadores o tentem esconder, já todos sabem quem vão defrontar até final do campeonato. E há até quem saiba com quem o rival directo vai jogar.

Com um bocadinho de sorte, o Benfica pode sentenciar o destino do campeonato nas duas próximas jornadas. A recepção ao Rio Ave e a deslocação ao Algarve para defrontar o Olhanense não devem constituir problema. O Benfica deverá vencer ambos os jogos com maior ou menor dificuldade, sendo que é expressamente proibido perder pontos nestes encontros, o primeiro por ser em casa e o segundo por ser contra uma equipa que está abaixo da linha de água e que vem descendo na tabela há largas semanas. Por sua vez, o Porto tem dois jogos de cariz bem mais complicado: primeiro desloca-se a Coimbra, onde, por tradição, até ganha facilmente, mas onde vai encontrar uma Académica bem diferente daquela que tem defrontado nos últimos anos. O jogo assume até uma importância maior dadas as particularidades do momento: o Porto entrará em campo vindo de um conjunto de maus resultados e a Briosa precisa de ganhar para manter a cabeça à tona de linha de água. E a seguir a Coimbra, o Porto recebe... o Braga. Uma equipa que luta pela Champions e que num passado recente tem causado alguns problemas aos azuis-e-brancos. Basta o Porto deslizar num destes jogos e o Benfica não ceder pontos para que o campeonato fique praticamente entregue.

Quanto a nós, focando-nos no que nos diz respeito, temos de receber o Rio Ave, ir a Olhão, receber o Sporting, ir aos Barreiros, receber o Estoril, ir ao Dragão e fechar em casa com o Moreirense. Não é fácil, mas também não é o fim do mundo. Há apenas 3 jogos de grau de dificuldade elevado: a recepção ao Sporting e as idas aos Barreiros e ao Dragão. E até realizar um desses jogos, já o Porto terá passado por provações tão grandes ou maiores que as nossas, podendo ver a distância aumentar em relação ao Benfica.

Mas há mais. O Benfica perdeu pontos com 4 adversários este campeonato. Curiosamente, em todos os jogos, o resultado foi o mesmo - 2-2. Mais curioso ainda: com 7 jogos por disputar, o Porto ainda tem de fazer esses mesmos jogos em que o Benfica perdeu pontos. Ir a Coimbra, receber o Braga, ir à Choupana e receber o adversário directo. O Benfica perdeu pontos nestes 4 jogos. O Porto não perdeu nenhum porque... não realizou nenhum. Interessante, sem dúvida. E a juntar a isto, para apimentar mais o calendário, o Porto fecha a época num dos terrenos mais difíceis do campeonato, frente a uma equipa que tem sido a grande sensação da prova (a par do Sporting, mas pelos motivos inversos) e que esteve perto de roubar o título aos dragões em 2007, o Paços de Ferreira.

Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Contra-resposta. Porque neste blog segue-se o SLB e suas tradições. Nomeadamente, a Democaracia.


Antes de mais, não pretendo desviar atenções do post precedente do JNF. E, a talho de foice, antecipo já que concordo integralmente. Ou, seja, o Benfica não deverá abdicar de nenhuma competição. Em circunstância alguma. E mais; apesar de não a valorizar (como nunca valorizei mesmo quando as ganhámos), chateia-me ter saido da Taça da Liga porque é menos um troféu para se ganhar e menos uns trocos para arrecadar.

Posto isto, venho falar da renovação (ou não) de Jorge Jesus (adiante designado por JJ, porque sim e porque dá menos trabalho).

Renovar ontem com JJ já teria sido tarde. JJ merece. E merece porquê?

Antes de mais, porque JJ pôs o Benfica a jogar futebol. A dar espectáculo. A encher (ainda mais) os Estádios por onde passamos. A atacar, a correr e a pressionar. A marcar golos, muitos golos. Mas isto é demasiado óbvio para qualquer pessoa que segue/vê futebol em Portugal, pelo que importa desmistificar alguns argumentos dos que defendem a sua não-renovação. A saber:

i) Desgaste: nos meados dos anos 80 (salvo erro), os blogs ainda não estavam divulgados. Nem sei mesmo se existiam. Mas se houvessem e tivessem o enraizamento que a blogosfera têm hoje, de certeza absoluta que não veríamos nenhum adepto do Man. Utd. dizer que Sir Alex Ferguson devia sair porque, nos seus primeiros 4 anos, ganhou... zero. Ou seja, é preciso paciência, e nós, em Portugal e em particular no Benfica, temos pouca. Muito pouca. Não fossemos nós adeptos habituados ás grandes conquistas da década de 90 e de 2000 (ironic mode off)... Com JJ, valiosos ou não, lá vamos metendo alguns a somar a outras coisas de relevo. Que são: 1 Campeonato, 3 Taças da Liga, presença sólida e constante na Champions, nas competições europeias atingimos sempre com JJ os quartos de final (na pior das hipóteses), meias finais de uma competição europeia onde já não chegávamos desde 1989-90, e, tudo indica, uma final da Taça de Portugal onde já não chegamos há 8 (oito!!) anos.

ii) É um treinador caro. Ganha demasiado.: a maior mentira. JJ não é um treinador caro. Diz-se por ai, e eu até acredito que limpe, por mês, 333 mil euros. Contas redondas, dá cerca de 4 M por ano. Ok, vamos esticar até aos 5 M por ano. É barato!!! JJ, para além de ter recolocado o Benfica a jogar um bom futebol, potencia jogadores em vendas astronómicas. Antes dele (dentro do Benfica e fora), quantos trabalharam com David Luiz, Coentrão, Javi Garcia, Witsel, e Di Maria entre outros? Perspectivam-se ainda Matic, Gaitan e Garay na mesma lógica. Só JJ os soube potenciar para que fossem vendidos por preços altissímos!! Perguntem a um presidente qualquer de qualquer Clube do Mundo se se importaria de pagar 5M de euros por ano a um treinador sabendo que, todos os anos, ele rentabiliza os jogadores de tal maneira de modo a que nos cofres desse mesmo Clube entram somas na ordem dos 40, 50 M por ano. Nenhum rejeitaria. Nem um! Tudo isto a juntar aos prémios inerentes ás competições todas que entramos.

iii) É teimoso, e a sua teimosia já nos custou 3-1 na Luz com os andrades, 5-0 no estádio do cavalo-marinho, 2-1 na Luz com os mesmos andrades que lhes deu o titulo e a meia final da Ligóropa para o Braga e aquela inenarrável exibição em Guimarães no ano passado que foi o inicio do fim. Resposta: Justamente por todos esses argumentos é que acho que, mais do que nunca, deveriamos renovar já com JJ. E divido a minha resposta em três partes. A saber,
   a) o sentimento de frustração foi tremendo, mas não esqueço que fiquei frustrado porque o Benfica estava lá, na luta!! Nas decisões!! Onde, sejamos honestos, já não chegávamos há muito tempo e tão consistentemente antes de JJ ter chegado á Luz. E,
    b) JJ mudou. Hoje já não faria os mesmo erros que fez no passado e manteve o que de bom havia feito. Mantendo as mesmas bases que quase o levaram ao sucesso e que nos permitiu sonhar com tudo nos ultimos 2 anos, hoje mostra-se mais consciente, mais responsável. Menos louco. Mais treinador.
    c) Não justifica tudo, mas ajuda e muito: em Portugal quem corrompe é quem ganha mais. Com menos Proençadas, Xistralhadas, Benquerençadas e outros que tais, o Benfica e JJ teriam vencido mais. Muito mais. Por norma, é preciso dizer, o Benfica na hora das decisões, é roubado. De relembrar que o porto de AVB ganhou tudo no mesmo ano, mas a partir de Dezembro já não teve que se preocupar mais com o Campeonato já que o Benfica havia sido providencialmente afastado, o sporting caminhava para o que se tornou hoje e o braga não conseguiu aguentar o ritmo da época transacta. Este ano, e escrevo isto a 7 jornadas do fim, JJ não tem nada ganho e tem de continuar a dar o máximo de si e da equipa justamente porque não teve as benesses que outros tiveram, o que valoriza ainda mais o seu trabalho.

iv) Apetece-me falar do Aimar. Porque foi JJ que o contratou. Sim, foi JJ. Que o soube aproveitar, que o soube rentabilizar e que o pôs a jogar no seu lugar. Não foi aquele espanhol que por cá passou (cuja única coisa de jeito que fez foi em seu próprio proveito, que foi varrer a Orsi. Sim, o mesmo que disse que a resposta ás preces do Benfica era um rapazito chamado Balboa!!! Mas alguém acha que JJ iria gastar 5 M naquele tronco???) que o punha a jogar a extremo-esquerdo, deixando inúmeras vezes o Di Maria na bancada... Com o Quique tinhamos apenas uma camisola 10 no campo. Potenciar o talento é outra coisa, muito mais complicado...

v) Má construção do plantel. Aqui concedo parcialmente. Acho que temos um óptimo 11 titular (e ainda por cima devidamente trabalhado) e um óptimo banco. Mas um plantel curto, especialmente a nivel de soluções nas laterais. Mas tem dado!!! Fisicamente a equipa está sólida, as rotinas existem, os ataques adversários são cortados, os nossos ataques resultam, etc... Não é isto que se pede a um treinador?? Onde temos tido alguma sorte tem sido (espero que assim se mantenha), é no reduzidissimo numero de lesões graves. Já bastou aquele numero do Luisão na pré-epoca, sobre o qual, diga-se em abono da verdade, JJ soube gerir com competência assumindo Jardel com confiança.

Para terminar, e posso estar enganado já que digo os numeros de cabeça, são pouco mais de 200 jogos pelo Benfica com mais de 440 golos e uma percentagem de vitórias na ordem dos 75%.

Agora digam-me:

Conhecem algum que faça melhor????


PS. É possivel que hajam muito mais argumentos a favor de JJ, certamente que haverão, e como são tantos não me consigo lembrar de todos... Saudações benfiquistas 

Campeonato ou Europa?

Estamos a pouco mais de mês e meio do final da temporada. A tão pouco tempo do fim, e não tendo ganho nada [por agora], a verdade é que estamos muito perto de conquistar tudo. Campeonato, Taça e Liga Europa são metas possíveis e, umas mais que outras, prováveis. Seria de esperar que num clube com a grandeza do Benfica não se estivesse a discutir em qual das provas se deveria colocar as fichas. Mas a verdade é que, dada a falta de títulos nos últimos 20 anos, esta questão de "escolher" qual das competições ganhar tornou-se num hábito para os benfiquistas. No entanto, cada época tem as suas singularidades, e esta não foge à regra.

Estamos perante um plantel claramente desequilibrado. Não há laterais suplentes (e mesmo à esquerda é o que se tem visto), Matic e Enzo têm estado por sua conta, há jogadores em má forma, outros em subrendimento e, mesmo assim, os resultados estão aí, à vista, brilhantes e inatacáveis. Por isto, especialmente por isto, há quem defenda que o Benfica se deve focar única e exclusivamente no campeonato.

Discordo totalmente. Acho que apostar apenas no campeonato é uma tonteria que não deveria caber na cabeça de quem dirige, nos gabinetes ou a partir do banco de suplentes, o Benfica. Por dois motivos muito simples: em primeiro lugar, estamos numa posição extremamente favorável na Liga Europa. O Newcastle, apesar de ser um adversário que impõe respeito, está muito longe de meter medo. Tem feito um campeonato irregular, tem várias baixas para o duplo confronto europeu e não tem o nível do Benfica. Por isso, é muito provável que o Benfica venha a disputar as meias-finais da Liga Europa. E de uma meia a uma final vai um pequeno passo, que até pode ficar mais curto se o sorteio for simpático,  o que até nem é assim tão improvável, dada a valia das equipas ainda em competição. Já imaginaram ver novamente o Benfica numa final europeia, 23 anos depois? Não se devem desperdiçar oportunidades destas. O segundo motivo pelo qual acredito que não devemos deixar cair a Liga Europa é também ele muito simples: o que vos leva a acreditar que, apostando exclusivamente no campeonato, a conquista do mesmo seja uma realidade? Mesmo apostando apenas e só no campeonato, pode acontecer uma desgraça semelhante à do ano passado. Jesus pode ter nova psicose como a que o acometeu no ano passado em Guimarães, um Proença qualquer pode ser nomeado com o objectivo de nos fazer a folha, etc. Por isso, que sentido faz apostar exclusivamente em algo correndo os riscos de perder esse objectivo e de deixar escapar o outro, que até estava ao nosso alcance?

Espero que o Benfica aposte igualmente no campeonato e na Europa. Acho que as hipóteses de ganhar pelo menos uma das provas (além da Taça de Portugal, que, mesmo não a dando por adquirida, não concebo que nos escape) são maiores se se apostar nas duas competições em vez de focar as atenções exclusivamente numa. Pode também acontecer não ganhar nada, mas tenho para mim que é mais digno perder a lutar por tudo do que perder estupidamente porque se desistiu facilmente de algo. E caso esse cenário se confirme, acho que os benfiquistas e a Direcção deveriam ser suficientemente astutos para perceber quais os motivos que levaram ao insucesso, até porque, como referi no post anterior, nem tudo aquilo que pode ser insucesso pode ser atribuído ao treinador.

Segunda-feira, 25 de Março de 2013

Os doze trabalhos de Hércules

Como pena pelo assassinato de sua mulher e de seus filhos, o oráculo de Delfos ordenou a Hércules, aqui representado por Jesus, não o Cristo, mas o da Reboleira, que cumprisse doze tarefas, conhecidas por "trabalhos", de modo a obter a redenção. Claro que a morte da mulher e da prole não se equipara à perda do campeonato 2011/2012 com 5 pontos de vantagem (fica ao critério de cada um o que é mais grave), mas também não é por isso que o nosso "herói" precisa de maior ou menor castigo. Os doze trabalhos são uma forma justa de o homem da Reboleira obter o perdão.

Toda a gente sabe que este Hércules é filho ilegítimo de Zeus, por sua vez uma espécie de Vieira, um Deus grego que a maioria dos benfiquistas não ousa questionar nem interrogar. Só que nesta história grega que se desenrola na Luz, não foi o oráculo mas sim o próprio Zeus que incumbiu o seu filho ilegítimo (e "ilegítimo" até porque teve uma relação [laboral, entenda-se] com Salvador) de realizar as doze tarefas. É claro que Zeus também tem a sua quota-parte de responsabilidade no meio disto tudo, afinal de contas Hércules só está presente nesta história devido a um devaneio sexual de Zeus com uma mísera mortal. Mas quanto a isso não podemos fazer nada. Se há algo que a História nos ensinou é que por entre cruzadas, desastres naturais e assassínios em massa, Deus, ou Zeus, se preferirem, safa-se sempre com paninhos quentes.

Atalhando, porque a história já vai longa, este nosso Zeus ordenou a Hércules que ganhasse o campeonato nacional. E fê-lo retirando o tapete à última da hora ao pobre (pobre? Mas o homem ganha 333 mil patacas por mês...) Hércules. Mas Hércules, vaidoso como é, disse que nem precisava do tapete, até porque quando acorda de manhã prefere sentir o chão frio por baixo da planta dos pés (apesar de todos sabermos que é assim que se apanham as mais chatas constipações). E assim, sem tapete nem rede por baixo do fio que percorre pé ante pé, Hércules vai levando a água a bom Benfica, cumprindo estes doze trabalhos decretados por Zeus.

Factualmente, com um plantel desequilibradíssimo, onde não há soluções para as laterais, onde se vendeu à última hora Javi e Witsel sem se acautelar as suas suas saídas, onde se perdeu Nolito e César no mercado de Janeiro e onde se tem assistido a uma temporada fraquíssima, por razões diferentes, de peças tão influentes como Aimar, Martins, Rodrigo, é de facto digno de assinalar que Jesus, perdão, Hércules, tem feito um trabalho assinalável. No que se jogou do campeonato até hoje, Hércules conseguiu 88,4% dos pontos possíveis, superando todos os registos das outras equipas europeias, inclusivamente os 88,1% do Barcelona, perdendo apenas para os 88,5% de pontos conquistados por Bayern e Olympiakos na Alemanha e Grécia, respectivamente.

Mas não é por nove ou dez das doze tarefas estarem concluídas que o filho ilegítimo de Zeus merece "perdão" (conhecido no século XXI por "choruda renovação"). Conhecem alguma versão da História em que Hércules tenha sido recompensado ainda antes de ter concluído os trabalhos? Eu não. Por isso é que defendo que se deve aguardar pelo fim dos trabalhos para saber se Hércules deve ou não ser perdoado. Até porque há três cenários em cima da mesa: ou vence as batalhas que tem pela frente, e aí merece a "renovação-perdão"; ou as perde por culpa própria e aí receberia um par de patins e a visita dos amigos de Felgueiras; ou as perde por culpa de terceiros (plantel curto, arbitragens, etc) e aí até defendo que se possa "renovar-perdoar".

Resta aguardar que este campeonato não termine, à semelhança de tantos outros, numa tragédia grega. Dia sim dia não se ouve que "nunca o Benfica perdeu um campeonato a 7 jornadas do fim", que "este é melhor Benfica desde Hagan" e mais uma data de verdades que, se forem pesquisadas, se calhar não são assim tão verdadeiras. Parafraseando o bom do Hércules, "o que interessa é como se acaba". Nem mais! Arregacem as mangas, cerrem os punhos e lutem até Maio. Não caminharão sozinhos. Quanto a ti, Hércules, lembra-te: "Os sonhos não morrem, somos nós que matamos os nossos próprios sonhos".

Sábado, 16 de Março de 2013

Quem é o adversário do Benfica?

O sorteio ditou que fosse o Newcastle o próximo adversário do Benfica na próxima jornada da Liga Europa, facto que me agradou para dizer a verdade, uma vez que são um clube com prestigio e jogam o futebol tipicamente britânico, aquele que Jesus consegue anular.

Quem é o Newcastle FC, adversário do Benfica, então?


O Newcastle é um clube do norte de Inglaterra e teve formação no ano de 1882. O clube deve-se à formação do Newcastle West e do Newcastle East. Dois forças rivais que acabaram por se juntar em 1892 devido aos problemas financeiros da West End e da hegemonia da perto dos East Enders. Com esta união o clube deixou de usar listas brancas e vermelhas e passou a usar as famosas pretas e brancas, que iriam dar tanto que falar. Em 1893 foram feitos vários jogos para ver quem poderia aceder à primeira divisão, e o Newcastle United conseguiu-o.

Entretanto, em 1992 Kevin Keegan voltou ao clube após anos penosos. Fez algumas contratações chave e pôs a equipa a praticar um futebol atacante muito agradável.  No Verão seguinte foram buscar um miúdo de nome Andy Cole por cerca de 2 Milhões de Libras. Este rapidamente tornou-se ídolo e o clube finalmente subiu de divisão. Começou aqui o período de grande futebol, sucesso e vitórias em St. James Park. Após a venda de Andy Cole para o gigante Manchester United, Kevin Keegan foi buscar jogadores como Les Ferdinand, David Ginola ou Tino Asprilla  formando uma super equipa que chegou a ganhar 5-0 ao United e rivalizando com este pelo título no auge dos anos 90.
Nos anos recentes, o Newcastle teve algumas dificuldades e voltou à 1º divisão recentemente.


Quem é o seu treinador? 

Alan Pardew, inglês, 51 anos. Para mim, não corresponde ao típico treinador inglês que vemos na Premier League, sendo que também não é totalmente o contrário daquilo que idealizamos como treinador British. É para mim o melhor treinador da sua geração naquele país. Ainda assim tem pontos fracos que penso podermos aproveitar. É um treinador que tem dificuldade em mexer positivamente na equipa e demora muito tempo a ler o jogo. Como o próprio já referiu, ficou satisfeito por jogar com o Benfica, o que mostra que não tem seguido a equipa de Jorge Jesus esta temporada. O acaba por ser um ponto em comum com a maioria das equipas inglesas, diga-se, o facto de ignorarem o planeamento do jogo. Mas isso joga a nosso factor e cabe ao Benfica aproveitar isso.

Gosta de jogar em 4-4-2 clássico mas após a saída de Demba Ba a equipa passou a jogar num 4-5-1. O ADN da equipa é bastante simples, posse de bola não exageradamente grande e bolas longas. Não vemos  o Newcastle com problemas de lançar bolas aéreas para as alas ou para a sua referência de ataque. É uma equipa ainda à procura de se encontrar esta época, pois teve de alterar o seu esquema táctica após a saída de Demba Ba para o Chelsea e porque tem tido inúmeras lesões. É uma equipa cujos defesas são algo lentos e têm dificuldade contra jogadores muito dinâmicos e velozes.


As "estrelas" da equipa:
-Cabaye. Médio, e com a ausência de Coloccini, novo capitão de equipa, pelo qual passa todo o jogo ofensivo da equipa. É o típico médio de trabalho com muita capacidade física e técnica. Exímio no passe longo e a procurar espaços para fazer o passe. Excelente critério em posse e marcação de bolas paradas. O craque desta equipa. É falado com relativa frequência para reforçar o débil meio-campo do United ou para substituir Lampard no Chelsea.

-Ben Arfa. Médio-ala ou extremo que tem tido algumas dificuldades em impor-se totalmente em Inglaterra, não por falta de mérito, meramente por azar, uma vez que tem sido fustigado com lesões desde que chegou. Mas quando está apto e em forma, mostrou ser um desequilibrador nato. Capaz de receber em espaços curtos e partir rapidamente para cima do defesa. Tanto procura o corredor central como tenta ganhar em profundidade a linha de fundo. Joga bem com os dois pés mas o seu esquerdo é o que faz mais estragos. Cuidado com os seus remates de longe. Felizmente não deverá ser opção.

-Cissé. Ponta-de-Lança tipicamente africano que se dá bem na Europa. Alto, possante, fortíssimo no jogo aéreo e com grande capacidade de finalização. Não pressiona nem é propriamente o jogador mais inteligente à face da terra a procurar espaços para se desmarcar, mas apenas precisa de um metro na área para finalizar uma jogada(normalmente um cruzamento), o que faz dele um ponta de lança letal.

Em relação à situação do clube esta época: Nas últimas semanas têm conseguido sair da segunda metade da tabela, pelo que agora se encontram em oitavo lugar no campeonato. É uma das equipas mais faltosas do campeonato, onde já acumula 54 cartões amarelos e 2 vermelhos. Último ciclo no campeonato regista vitória, derrota, vitória, derrota e vitória. Ainda não conseguiram fazer mais do que 2 jogos seguidos a vencer. Marcam com mais frequência entre os 31 e os 61 minutos de jogo. Tendo em conta o dinheiro investido pelo presidente no clube, com aquisições como Anita, Gouffran ou Debuchy é normal o clube aspirar a boas classificações mas tradicionalmente, para os adeptos, o que é realmente valorizado é o campeonato, pelo que a Liga Europa não passa de um bonus, digamos assim.

Dito isto, penso que estão reunidas todas as condições para passarmos a eliminatória, não sendo esta fácil, sobretudo o jogo fora, onde teremos de lidar com um ambiente bastante desagradável para os visitantes e com a tentativa dos Magpies de imprimirem um ritmo rápido para nos surpreenderem. Cautela, humildade e dedicação. Se mostrarmos estas 3 características penso que acabamos por ir às Meias-Finais.

Quinta-feira, 14 de Março de 2013

Hoje, em Bordéus


HABEMUS CARDOZO

Quarta-feira, 6 de Março de 2013

Mais um erro?


Saíram hoje notícias de que a renovação de Jorge Jesus está encaminhada. Pelo relatado, Vieira terá proposto a Jesus o prolongamento do vínculo que o liga ao Benfica uma vez que o seu contrato expira no Verão de 2013. Relembre-se que a equipa liderada por ele fez uma época 2010/2011 mais do que decepcionante - diria humilhante até, e uma época 2011/2012 onde morremos na praia, tendo dado o campeonato aos do norte na Luz.

O desgaste é enorme. Para mim a margem de manobra do treinador é bastante limitada, ou vence, ou então não acredito que estejam reunidas as condições para começar nova época. Este ano Jesus tem estado mais equilibrado, mais prudente, mas não nos podemos esquecer de uma coisa: o trabalho dele no Benfica não se resume a esta época desportiva, a análise deve ser feita perante o trabalho de Jesus ao longo das suas (quase) 4 época de Benfica. E aí, como disse, caso não vença, terá um saldo claramente negativo.

Por mim, e digo, se as notícias forem verdadeiras, acho que é mais um erro de Vieira ao propor novo contrato ao treinador uma vez que esta época ainda não ganhámos nada. Passa aquela ideia cá para fora de que aconteça o que acontecer Jesus não sai do Benfica. E não é isso que queremos para o clube. Nós queremos títulos e a vida de um treinador depende(ou devia depender) de títulos. Se este ano, formos campeões ou se vencermos a Liga Europa deve continuar - da Taça de Portugal nem falo, pois seria um ultraje não a vencer- e renovar contrato.

Que acham vocês?

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

O milagre financeiro

Não são 20. Não são 40, nem tão pouco 50. São 80. 80 milhões.